O Museu Instrumental Delgado de Carvalho foi criado no final do século XIX, pelo primeiro diretor do Instituto Nacional de Música[1], o compositor e maestro Leopoldo Miguéz, (1850 a 1902), muito provavelmente inspirado no Museu de Instrumentos de Musica (MIM)[2] do Conservatório de Música de Bruxelas[3], que Miguéz conheceu em viagem que fez a Europa em 1895.
A primeira menção, não ao museu, mas, aos instrumentos existentes no Instituto aparece no Decreto no. 143 de 1890, citado por Almeida (1994-95, p. 87): “a biblioteca, o archivo, os instrumentos, os móveis e todos os utensílios pertencentes ao extinto conservatório, passarão a ser propriedade do Instituto Nacional de Música”. Alguns anos depois, em 1898 uma publicação oficial do Ministério da Justiça evidencia a existência do Museu organizado como tal.
“O Instituto Nacional de Música tem um pequeno museu muito interessante e curioso; um gabinete de acústica regularmente montado, uma biblioteca pequena, um órgão de 16 pés de Wilhelm Sauer, um pequeno órgão de estudo do mesmo autor e um instrumental para orchestra […]” ( BRASIL, 1898, Apud, ALMEIDA, 1994, p. 87) .
O Museu, então, destinava-se, segundo o Regulamento do Instituto Nacional de Música de 1900, citado por Brandão (2013, p. 42), ao estudo de história de música e organologia musical. Seu acesso era restrito, sendo o ingresso na sala do museu permitido somente aos alunos acompanhados por professores e ainda com a autorização do diretor.
O acervo inicial do Museu foi descrito em inventário manuscrito[4] por Leopoldo Miguéz, entre os anos de 1890-1895, nele constam 49 instrumentos de diversas nacionalidades – Síria, Índia, Marrocos, Sudão, China, México, Estados Unidos e Brasil. Desses itens originais do acervo apenas 27 estão presentes atualmente no acervo. Em 1905, foi publicado um inventário, organizado e classificado pelo compositor Joaquim Tomas Delgado de Carvalho (1872-1922), que assumiu a responsabilidade, como ele mesmo afirma, pela “inspeccção do Museu instrumental, Gabinete de acústica e Bibliotheca” (CARVALHO, 1905, p. 5). Esse inventário mostra que o acervo cresceu bastante contando, então, com 87 instrumentos musicais, dentre os tradicionais instrumentos de orquestra – violinos, violas, fagotes, oboé, bandolins napolitanos – até instrumentos de culturas variadas e distantes como um gi-hin, instrumento de cordas chinês; uma darabuka, tambor de origem egípcia e um dog-dog, tambor de bambu de Java. Além dos instrumentos o museu possuía 54 itens diversos como cartas, bilhetes, cartões postais, autógrafos.
Somente, meio século depois, na década de 1970, foram elaborados novos inventários, sendo alguns descobertos recentemente na biblioteca da Escola de Música, quando então o museu é aberto ao público, ficando seu acervo exposto em vitrines no corredor principal da Escola de Música. Em 2008, o museu foi desativado e os itens foram armazenados na Biblioteca da Escola de Música (CARDOSO, 2008).[5]
Em 2011, com o propósito de reorganizar o museu, garantindo a preservação dos instrumentos e dos outros itens documentais e disponibilizando ao público o acervo, foi concebido um projeto Museu Virtual de Instrumentos Musicais Delgado de Carvalho[6] com duas linhas básicas de atuação: a criação de um Museu Virtual de Instrumentos Musicais e a organização e acondicionamento do acervo do Museu Delgado de Carvalho.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALMEIDA, Afifi Craveiro. Museu Instrumental Delgado de Carvalho: breve notícia. Revista Brasileira de Música. Rio de Janeiro, n. 21, p. 87-94, 1994-95.
BRANDÃO, Dolores Castorino. Representação documentária de instrumentos musicais: contribuição para a organização do Museu Instrumental Delgado de Carvalho da Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2013 (Monografia de Especialização). Arquivo Nacional – UFRJ.
BRASIL. Ministério da Justiça e Negócios Interiores. Instituto Nacional de Música. In: Notícia Histórica dos Serviços, Instituições e Estabelecimentos pertencentes a esta repartição. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1898, APUD, ALMEIDA, 1994, p. 87.
CARDOSO, André. A Escola de Música e suas coleções especiais. In Universidade e lugares de memória. Organizado por Antônio José Barbosa de Oliveira. Rio de Janeiro: UFRJ/FCC/SIBI, 2008, p. 203-220.
CARVALHO, Delgado de. O Museu Instrumental do Instituto Nacional de Música do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1905.
[1] O Instituto Nacional de Música foi criado após a Proclamação da República, em 1889, derivado do Conservatório de Música, criado em 1848, no Rio de Janeiro, por Francisco Manoel da Silva (1795-1865). Em 1937, o Instituto é encampado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e passa a se chamar Escola Nacional de Música.
[2] O Musée des Instruments de Musique (MIM) foi inaugurado em fevereiro de 1899 e até hoje é um dos mais importantes do mundo. Disponível em: <http://www.mim.be/>. Acesso em junho de 2012.
[3] Conservatoire royal de musique de Bruxelle.
[4] Descoberto após o inicio do projeto pela bibliotecária Dolores Brandão.
[5] Museu Delgado de Carvalho. https://www.musica.ufrj.br/index.php?option=com_content&view=article&id=79&Itemid=121.
Acesso em 25 de abril de 2011
[6] O projeto foi aprovado no Edital da FAPERJ de Apoio à Produção e Divulgação das Artes no Estado do Rio de Janeiro – 2011.The Delgado de Carvalho Instruments Museum was created in the end of the 19th Century, by the first director of the Music National Institute[1], composer and conductor Leopoldo Miguéz, (1850 – 1902), most likely inspired by the Musical Instruments Museum (MIM)[2] of the Brussels Music Conservatory[3], which Miguéz knew in a journey he made to Europe in 1895.
The first reference, not to the museum, but to the instruments existing in the Institute feature in Decree number 143 of 1890, cited by Almeida (1994-95, p. 87): “the library, the archive, the instruments, the furniture and all utensils belonging to the extinct conservatory, will now become property of the Music National Institute”. A few years later, in 1898, an official publication of the Ministry of Justice proves the existence of the Museum, organized as such.
“The Music National Institute has a very interesting and curious small museum; a regularly assembled acoustic cabinet, a small library, a 16 feet Wilhelm Sauer organ, a small study organ also by Wilhelm Sauer and instruments for an orchestra[…]” ( BRASIL, 1898, Apud, ALMEIDA, 1994, p. 87) .
The Museum, thus, was intended, according to the Music National Institute of 1900, cited by Brandão (2013, p. 42), for the study of music history and musical organology. Its access was restricted, and admittance in the museum’s room was only allowed to students accompanied by teachers and yet with the director’s authorization.
The Museum initial collection was described in a handwritten inventory[4] by Leopoldo Miguéz, between the years of 1890-1895, consisting of 49 instruments from various nationalities – Syria, India, Morocco, Sudan, China, Mexico, United Sates and Brazil. Of these original items of the collection only 27 are now part of the present assembly. In 1905, an inventory was published, organized and classified by composer Joaquim Tomas Delgado de Carvalho (1872-1922), who took the responsibility over, as he states, for the “inspection of the instruments Museum, the acoustic Cabinet and the Library” (CARVALHO, 1905, p. 5). This inventory shows that the collection had grown considerably, counting thus, with 87 musical instruments, from traditional orchestra instruments – violins, violas, bassoons, oboes, Neapolitan mandolins – to instruments from diverse and distant cultures such as a gi-hin, Chinese string instrument; a darabuka, Egyptian origin drum and a dog-dog, a bamboo drum from Java. In addition to the instruments the museum possessed 54 miscellaneous items such as letters, notes, postcards and autographs.
Only half a century later, in the decade of the 1970’s, new inventories were elaborated, some of which were recently discovered in the Music’ School’s library, when the museum is, then, opened to the public, with its collection being exposed in glass displays on the main corridor of the Music School. In 2008, the museum was deactivated and the items were stored in the Library of the Music School (CARDOSO, 2008).[5]
In 2011, with the purpose of reorganizing the museum, safeguarding the instrument’s and other documental item’s preservation and making the collection available for the public, a Project for the Delgado de Carvalho Virtual Museum of Musical Instruments[6] was conceived, with two basic lines of action: the creation of a Virtual Museum of Musical Instruments and the organization and the guardianship of the collection of the Delgado de Carvalho Museum.
BIBLIOGRAPHICAL REFERENCES
ALMEIDA, Afifi Craveiro. Museu Instrumental Delgado de Carvalho: breve notícia. Revista Brasileira de Música. Rio de Janeiro, n. 21, p. 87-94, 1994-95.
BRANDÃO, Dolores Castorino. Representação documentária de instrumentos musicais: contribuição para a organização do Museu Instrumental Delgado de Carvalho da Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2013 (Monografia de Especialização). Arquivo Nacional – UFRJ.
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CARDOSO, André. A Escola de Música e suas coleções especiais. In Universidade e lugares de memória. Organizado por Antônio José Barbosa de Oliveira. Rio de Janeiro: UFRJ/FCC/SIBI, 2008, p. 203-220.
CARVALHO, Delgado de. O Museu Instrumental do Instituto Nacional de Música do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1905.
[1] The Music National Institute was created after the Republic was proclaimed, in 1889, deriving from the Music Conservatory, created in1848, in Rio de Janeiro, by Francisco Manoel da Silva (1795-1865). In 1937, the Institute is incorporated by Rio de Janeiro’s Federal University and begins to be called National School of Music.
[2] The Musée des Instruments de Musique (MIM) was inaugurated in February 1899 and is up to now one of the most important in the world. Available in:
[3] Conservatoire royal de musique de Bruxelle.
[4] Discovered after the project’s beginning by the librarian Dolores Brandão.
[5] Delgado de Carvalho Museum. https://www.musica.ufrj.br/index.php?option=com_content&view=article&id=79&Itemid=121.
Accessed on April 25th, 2011
[6] The Project was approved through the Public Announcement from FAPERJ – The State of Rio de Janeiro’s Support Fund of Arts Production and Promotion – 2011.



