Saltério

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Descrição

Instrumento de madeira em formato de trapézio e sem braço. Possui duas aberturas sonoras na caixa de ressonância e as cordas estão dispostas paralelamente ao longo do tampo harmônico. Possui noventa e oito cravelhas metálicas e cavaletes de madeira. No fundo do instrumento existem quatro pés. Cada abertura da caixa de ressonância é decorada com motivos florais e uma pedra esverdeada, as cravelhas também possuem decorações florais nas extremidades. As cravelhas fixam ordens de cordas que possuem de três a quatro cordas, o instrumento possui extensão de três oitavas, sendo a nota mais grave ré2 e a mais aguda fa# 5. Para tocar, o instrumentista apóia o saltério numa mesa ou sobre as pernas e dedilha as cordas com os dedos ou com um plectro. Outra técnica possível é percutir as cordas com baquetas.

Para saber mais

O saltério é um instrumento da família das cítaras. O termo 'cítara' é utilizado para denominar qualquer cordofone que possua cordas esticadas sobre o corpo do instrumento. Normalmente, o corpo é a própria caixa de ressonância e as cordas são esticadas acima dela, passando por cima de cavaletes. No saltério, especificamente, as cordas são fixadas por meio de cravelhas de madeira ou de metal. Na antiguidade, o instrumento era utilizado pelos assírios, babilônios e egípcios, em rituais religiosos e profanos. Os hebreus utilizavam o saltério para acompanhar salmos nos cânticos sacros. Por volta do século XVII, o saltério do Oriente (qanun) chegou à Europa por meio da Espanha e influenciou a estrutura do saltério comumente utilizado no continente europeu entre os séculos XII e XV. Neste período, o saltério era utilizado tanto em ritos religiosos quanto em ritos profanos como danças e canções dos menestréis. Na Renascença, devido à difusão do uso do cromatismo, sistema que o saltério não tinha como atender, o instrumento perdeu espaço. No século XVI o saltério deu origem a outros instrumentos: o dulcimer (onde as cordas são tocadas com martelos), o cravo (onde as cordas são pinçadas e acrescentou-se um teclado à estrutura do saltério) e a cítara (onde se acrescentaram trastes). No século XVIII, o instrumento voltou a se tornar conhecido e muitos dos exemplares que chegaram até os dias de hoje são desse período, como o próprio exemplar do Museu. No século XX, o saltério foi utilizado principalmente na execução do repertório de música antiga. Não são muitas as menções à presença do saltério no Brasil, numa rara citação Cunha Mattos narra que em 1824, na província de Goiás, algumas senhoras cantavam e tocavam saltério, cítara, guitarras e violas.

Dados gerais [classificação e nomes adicionais]

314.122 Cítaras de tábua propriamente ditas com caixa de ressonância

Dados do exemplar [este item em específico]

mvim_dc_co_0005

1767

, ,

C1= 38cm C2=77cm L=36cm A=10cm

Inscrição de origem: selo em uma das laterais da caixa de ressonância "Antonio Miz. S. Tiago, O FESNO CASTELLO DO RIO DE JAN.RO NA.1767:"

Não determinada

MIDC/EM/UFRJ 314 I2 Prat. 17

Bibliografia

ALMEIDA, 1994.
BETHENCOURT; BORDAS; CANO; CARVAJAL; SOUZA; DIAS; LUENGO; PALACIUS; PIQUER, ROCHA, RODRIGUEZ; RUBIALES; RUIZ, 2012.
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SADIE, 1994.
SOARES, 1990.
YOUTUBE, 2014.

Notas

O catálogo de 1974 do Museu Delgado de Carvalho informa que este saltério foi construído no convento do Castelo, no Rio de Janeiro.