Mayuri

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Descrição

Instrumento de madeira com caixa de ressonância esculpida em formato de corpo de pavão. O tampo harmônico é formado por uma membrana. No braço, o espelho é largo, convexo, feito de madeira e com trastes de metal curvos amarrados ao braço. Possui quatro cravelhas na cabeça e quinze ao longo do braço para as cordas simpáticas, que são as cordas que não são tocadas, mas soam “em simpatia”, ou seja, por ressonância, quando as cordas principais são tangidas ou dedilhadas. Existe um orifício não ocupado para uma quinta cravelha na cabeça. Na extremidade inferior do instrumento existem três ganchos de metal que servem para segurar a cabeça do pavão esculpida em madeira. Na caixa de ressonância existem desenhos que imitam a plumagem do pavão e ao longo do braço desenhos com motivos florais predominantemente dourados. Também existem penas ornamentando a parte posterior do instrumento. Todos os ornamentos foram feitos com tintas e vernizes. As cordas são feitas de aço e de latão e são afinadas em fá3, dó3, dó3 e sol3. As cordas simpáticas são feitas de latão. Para tocar, o instrumentista tange as cordas com um arco convexo de madeira. O instrumento é posicionado verticalmente, descansando na coxa e encostado no ombro esquerdo do instrumentista. O exemplar do Museu não possui arco.

Para saber mais

Este instrumento é um tipo de dilruba, alaúde de braço longo comum no Paquistão e no norte da Índia. O dilruba (palavra que significa “ladrão do coração”) é utilizado principalmente para acompanhar canções urbanas, populares e religiosas. É um instrumento híbrido, com a caixa de ressonância similar à caixa da sarangi e braço trasteado semelhante ao da sitar. Quando o dilruba possui caixa de ressonância esculpida na forma de pavão é denominada mayuri (palavra hindu que significa pavão, assim como a palavra Ta'us, termo da língua urdu que também é utilizada para designar o instrumento). A utilização da forma de pavão para a caixa de ressonância relaciona-se com as simbologias que este animal evoca na cultura indiana: o pavão é considerado o veículo do deus da música, Sarasvatî. Além disso, na poesia indiana o pavão é utilizado como metáfora para o ato de cortejar. O mayuri era bastante popular nas cortes indianas do século XIX, quando era utilizado principalmente para fazer acompanhamentos para música religiosa.

Dados gerais [classificação e nomes adicionais]

321.321 Alaúdes em forma de tina com braço e cravelhame

Mayuri Vina (BASE MINERVA, 2014), Peacock Vina, teijùs (Fonte: MIGUEZ, 1890-1895), dilruba (Fonte: MIMO, 2014), taus (Fonte: MIMO, 2014)

Dados do exemplar [este item em específico]

mvim_dc_co_0002

sec. XIX d.c.

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C=1,25m L=24 cm A=40cm

Inscrições: escritos pintados na parte interna do peito do pavão em língua não identificada e número "8"; no tampo harmônico "8". Inscrição posterior: etiqueta com identificação do catálogo de 1905 no peito do pavão "N. 48 – TEIJÙS OU MEYÙRI"

Doação de João Baptista da Motta e Rodolfo Bernadelli

MIDC/EM/UFRJ 321.3 I20 Prat.15

Bibliografia

ALMEIDA, 1994.
BASE MINERVA, 2014.
BETHENCOURT; BORDAS; CANO; CARVAJAL; SOUZA; DIAS; LUENGO; PALACIUS; PIQUER, ROCHA, RODRIGUEZ; RUBIALES; RUIZ, 2012.
BRAGA, 1973.
BRANDÃO, 2013.
CARVALHO, 1905.
GROVE MUSIC ONLINE, 2014.
MIGUEZ, 1890-1895.
MIMO, 2014.
ROLLA, 1974.
SOARES, 1990.
THE METROPLITAN MUSEUM OF ART, 2014.
YOUTUBE, 2014.