Ghayta

Mais informações

Descrição

Instrumento de palheta dupla feito de madeira. O corpo é formado por uma única peça de madeira em formato cônico. A abertura final é chamada de ka’ba. A palheta se encaixa em um segmento feito de latão e que se articula com o corpo do instrumento. Possui dez orifícios ao longo da parte da frente, um na parte de trás, dois na lateral esquerda, e dois na lateral direita, perfazendo um total de quinze orifícios. A palheta consiste em duas lâminas de cana que medem aproximadamente 2 cm de comprimento. As notas que o instrumento produz são: si - dó#3 - ré#3 – mi3 - fá#3 – sol3 - sol#3 – lá3 - lá#3. Para tocar o instrumentista pressiona as palhetas com os lábios e contra o pirouette (ou rosette) que é um pequeno disco de madeira, marfim, madrepérola ou outro material, que se encaixa entre a palheta e o tubo de latão. O instrumentista pressiona os lábios contra o disco, soprando através da palheta e usando suas bochechas como um reservatório de ar, de forma que o instrumento possa ser soprado continuamente, utilizando a técnica da respiração circular. O exemplar do museu não possui pirouette e palheta.

Para saber mais

O termo ghayta pode ser utilizado para denominar um tipo de oboé, como o exemplar do museu, ou a gaita de fole. O termo deriva da palavra gótica ghaid (que significa trouxa) e de fato inicialmente servia para denominar uma gaita de fole feita de pele, porém, provavelmente devido ao fato de tanto a gaita de fole quanto o oboé possuírem timbres e funções sociais que eram consideradas similares, o termo passou a ser aplicado em algumas regiões também a um tipo de oboé. O Marrocos, país de onde provém esse instrumento do Museu, é uma dessas regiões. Lá a ghayta é um tipo de oboé, um instrumento melódico geralmente tocado por músicos profissionais do sexo masculino e que, por sua vez, vêm de uma linhagem de tocadores de ghayta. Apesar de existirem aerofones de palhetas na Mesopotâmia antes da expansão islâmica, o uso da ghayta se estabeleceu na região depois do crescimento do islamismo (século VII) e por isso a difusão do instrumento está intimamente relacionada à expansão da cultura islâmica - por exemplo, a campana da ghayta recebe o nome de ka’ba que é o nome do lugar mais sagrado do culto muçulmano em Meca. O instrumento foi provavelmente produto da síntese de outros instrumentos provenientes do Irã, da Mesopotâmia, Síria e Ásia Menor, foi introduzido em bandas militares e posteriormente teve seu uso difundido em áreas recém-conquistadas pelo Islã. Durante o Império Otomano, o instrumento, com o nome de zurna, se difundiu ainda mais, dessa vez em direção à Europa. O timbre do instrumento é brilhante e poderoso e seus usos eram variados: em bandas cerimoniais e militares, na música funeral (sendo ainda utilizado neste tipo de música na Armênia), escoltando notáveis para as orações da sexta-feira (dia sagrado para o islamismo); para marcar o início de uma peregrinação; para exercer a função de sentinela; em celebrações anuais das enchentes do Nilo; e em tipos de teatros de sombra com fantoches. Atualmente o instrumento é utilizado em festas ao ar livre com música, normalmente compondo pequenos conjuntos (geralmente duas ghaytas e um ou mais tambores), ou em duos de ghaytas e tambor. Estes conjuntos de ghaytas e tambores também são comuns em casamentos, festas de circuncisão, danças, jogos, competições, festas nacionais de independência, festivais, manifestações e passeatas.

Dados gerais [classificação e nomes adicionais]

422.112 Oboés individuais com tubo cônico

Zamr-el-kebyr (Fonte: BASE MINERVA, 2014), surnay (GROVE MUSIC ONLINE, 2014)

Dados do exemplar [este item em específico]

mvim_dc_ae_0077

sec. XX d.c.

,

C= 40cm L= 8,3cm

Inscrição posterior: etiqueta colada com número e nome do catálogo de 1905 "N. 64 – ZARM-EL-KEBYR"

Doação de João Baptista da Motta e Rodolfo Bernadelli

MIDC/EM/UFRJ Aerofones 422.1 I6Prat. 23

Bibliografia

ALMEIDA, 1994.
BASE MINERVA, 2014.
BETHENCOURT; BORDAS; CANO; CARVAJAL; SOUZA; DIAS; LUENGO; PALACIUS; PIQUER, ROCHA, RODRIGUEZ; RUBIALES; RUIZ, 2012.
BRANDÂO, 2013.
CARVALHO, 1905.
GROVE MUSIC ONLINE, 2014.
MIGUEZ, 1890-1895.
MIMO, 2014.
ROLLA, 1974.
SOARES, 1990.