Corne inglês

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Descrição

Instrumento de madeira com formato cônico que possui cinco partes: palheta dupla, tudel, junção superior, junção inferior e campana em formato de bulbo. O corne inglês é o instrumento tenor da família do oboé, é transpositor, afinado em Fá, ou seja, uma quinta abaixo do oboé. A nota mais grave que o instrumento atinge é o si2 (que soa mi2), e a mais aguda é o mi5 (que soa lá4). O mecanismo é formado por anéis e chaves. Para tocar o instrumentista sopra entre as duas lâminas da palheta que vibram e produzem a corrente de ar; com as mãos o instrumentista regula o comprimento do tubo e, consequentemente, a altura das notas, produzidas por meio do fechamento ou abertura dos orifícios . O exemplar do museu não possui tudel e palheta.

Para saber mais

O corne inglês é um oboé tenor em Fá. O dedilhado do instrumento e a clave de leitura (clave de sol) são iguais aos do oboé, porém o corne inglês é um instrumento transpositor e soa uma quinta abaixo do oboé. No início do século XVIII, o formato e estrutura do corne inglês lembravam as representações medievais das cornetas dos anjos e por isso o instrumento era chamado de “engellisch”, que no alemão medieval significa “angelical”. A mesma palavra também significa “inglês” e, ao longo do tempo, os dois significados se misturaram e a identificação “inglês” acabou se estabelecendo. Durante os primeiros anos de existência do instrumento, o uso do corne inglês foi intercambiado com o uso de outros oboés tenores e poucas composições foram escritas para o instrumento até o ano de 1740, quando os compositores começaram a escrever especificamente para o instrumento. Um dos primeiros compositores a explorar o corne inglês foi Christoph Willibald Gluck (1714-1787), que utilizou o instrumento em obras como La Danza (1755) e Orfeu e Euridice (1762). Durante o século XVIII, o corne inglês foi bastante associado à ópera italiana e a maioria dos instrumentos foi feita em cidades que possuíam teatros de óperas como Viena, Dresden, Milão, Veneza e Lisboa. No século XIX, Hector Berlioz (1803-1869), seguidor de Gluck, também escreveu solos com caráter melancólico para o corne inglês e mais do que outros compositores contribuiu para associar ao instrumento sentimentos de vazio, solidão e lamento. Na França, o uso do corne inglês se estabeleceu apenas no século XIX e o primeiro instrumentista francês importante de corne inglês foi Gustave Vogt (1781-1870). A partir de 1810, Vogt trabalhou em conjunto com o construtor Guillaume Triébert para melhorar a estrutura do instrumento. Foram acrescentadas novas chaves e o instrumento foi refinado, o que o tornou conhecido e respeitado. Mais tarde outro instrumentista, Henri Brod (1799-1839), ficou insatisfeito com o som abafado e a forma desajeitada do corne inglês da época e também se associou a Triébert e a François Lorée, outro artesão que trabalhava na oficina, para realizar novas mudanças no corne inglês. Por volta de 1830, a oficina dos Triéberts fazia instrumentos com formato reto mais fáceis de serem seguros pelos instrumentistas e com um timbre mais cheio, era o “hautbois-alto”, que mais tarde foi chamado de corne inglês moderno. Nos anos 1880, François Lorée abriu sua própria oficina e começou a construir um corne inglês baseado no modelo desenvolvido em colaboração com Brod, melhorando ainda mais a nova estrutura e levando o instrumento à sua forma atual. No início do século XX o corne inglês já estava estabelecido como instrumento solo nas orquestras e foi bastante utilizado em trilhas sonoras cinematográficas de compositores como Virgil Thomson, Hugo Friedhofer, David Raksin, Miklós Rózsa and Victor Young.

Dados gerais [classificação e nomes adicionais]

422.112 Oboés individuais com tubo cônico e orifícios

Dados do exemplar [este item em específico]

mvim_dc_ae_0045

sec. XX d.C.

,

C= 80cm L= 7cm

Inscrição de origem na parte da frente do primeiro segmento: “Buffet Crampon Cie. A Paris” e “ [?] Brevetes [?]”. Inscrição de origem na parte da frente do segundo segmento: “Buffet Crampon Cie. A Paris”. Inscrição de origem na parte de trás do segundo segmento: “627”. Inscrição ilegível na parte da frente da campana.

Não determinada

MIDC/EM/UFRJ Aerofones 4 22.1 I3 Prat. 22

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