Bandolim

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Descrição

Bandolim modelo napolitano, mas o braço do instrumento corresponde ao bandolim do modelo romano, ou seja, o braço possui formato triangular na parte de trás. O tampo é feito de pinho europeu e a caixa acústica é feita de abeto com fundo abaulado. As tarrachas são originais e o instrumento possui um cavalete de madeira. Existem ornamentos de madrepérola que contornam a boca do instrumento. Possui quatro ordens de cordas com afinação sol2-ré3-lá3-mi4. As cordas são tocadas com um plectro. O exemplar do Museu não possui presilha.

Para saber mais

O bandolim deriva da mandola italiana e da mandore francesa, instrumentos equivalentes do século XVI que eram maiores e com seis a oito ordens de cordas, ou seja, seis a oito pares de cordas. Existiam também mandolas menores na Itália e na Alemanha com quatro ou cinco pares de cordas. Na Itália, a mandola passou a ser chamada de mandolino e o instrumento tornou-se bastante popular entre os séculos XVII e XVIII. No século XIX a família de construtores Vinaccia realizou ajustes técnicos no bandolim napolitano do século XVIII: houve um aumento no tamanho da caixa acústica, a escala foi modificada, e a afinação mi-lá-ré-sol tornou-se padrão. Todas essas modificações tiveram o objetivo de aumentar a potência sonora do bandolim, já que os teatros tornavam-se cada vez maiores e com mais público pagante. Atualmente existe uma grande variedade de modelos de bandolins, porém todos possuem a mesma escala e afinação do bandolim napolitano. O instrumento é bastante utilizado no jazz, no bluegrass e na música popular irlandesa. No Brasil, o instrumento integra os conjuntos que tocam choro, gênero musical que nasceu na cidade do Rio de Janeiro no início do século XIX.
Texto escrito com a colaboração do professor da UFRJ Paulo Sá

Dados gerais [classificação e nomes adicionais]

321.321 Alaúdes em forma de tina com braço e cravelhame

Dados do exemplar [este item em específico]

mvim_dc_co_0023

final do sec. XIX d.C.

, ,

C=62cm L=21cm A=17cm

Inscrição de origem: selo no interior da caixa de ressonância "Fabbrica di Mandolini, Mandole, Chitarre"- "Instrumenti Musicali di Ogni Genere"- "Giuseppe Manfredi"- "Via Roma Galleria Umberto Napoli"

Doação de Carlinda Figueira da Costa.

MIDC/EM/UFRJ 321.3 I13 Prat. 10

Bibliografia

BASE MINERVA, 2014.
BERKLEY, 2009.
BETHENCOURT; BORDAS; CANO; CARVAJAL; SOUZA; DIAS; LUENGO; PALACIUS; PIQUER, ROCHA, RODRIGUEZ; RUBIALES; RUIZ, 2012.
BRANDÃO, 2013.
MIMO, 2014.
ROLLA, 1974.
PAULO SÁ, 2014.
SADIE, 1994.
SOARES, 1990.

Notas

"Este bandolim foi provavelmente importado por uma das lojas de instrumentos musicais do Rio ou de São Paulo, pertencentes a imigrantes italianos, como a Alla Chitarra D’Oro e a Giuseppe D’Alo, citadas no livro “Il Brasile e gli Italiani” (R. Bemporad & Figlio Editori – Pubblicazione Del Fanfulla. Firenze, 1906). Dentre os proprietários destas lojas, temos notícias, por exemplo, de Giulio Marasca, Adolfo Macchia, Cellestino Bellano, Guido Rocchi e Francesco Pistoresi. Em suas propagandas, feitas no Brasil, porém escritas em italiano, atestavam que vendiam instrumentos importados, como pode se observar no seguinte texto, escrito em 1894: "Le quali sono completate da um grande deposito di piano forti, violini, mandolini delle migliori fabriche d’Europa Ed in particolare d’Italia." A palavra “mandolini” é o plural de “mandolino”, ou seja, bandolim em italiano" (Fonte: Paulo Sá, 2014)