O desenvolvimento desse Museu Virtual de Instrumentos Musicais – MVIM é um dos objetivos do projeto intitulado Museu Virtual de Instrumentos Musicais Delgado de Carvalho, proposto pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia, em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro, para o Edital da FAPERJ de Apoio à Produção e Divulgação das Artes no Estado do Rio de Janeiro – 2011.

O projeto foi idealizado com o intuito de vitalizar, reativar, reestruturar e ampliar o Museu Instrumental Delgado de Carvalho – MIDC de forma a cumprir duas metas principais: o acondicionamento e organização do acervo original do Museu Delgado de Carvalho e a criação do Museu Virtual de Instrumentos Musicais – MVIM. Para alcançar sua finalidade foram executadas as seguintes ações: (1) o levantamento dos itens documentais; (2) a organização, classificação e catalogação dos itens do acervo; (3) a higienização, conservação, restauração dos itens do acervo do Museu; (4) o acondicionamento dos instrumentos musicais; (5) a fotografia e/ou filmagem digital dos instrumentos; (6) o desenvolvimento do Website do Museu Virtual contendo uma apresentação, o catálogo do acervo com imagens e áudios, linha do tempo, atividades educativas e exposições especiais.

(1) LEVANTAMENTO

O levantamento e a identificação dos itens documentais do acervo do Museu Delgado de Carvalho envolveu bibliotecários, especialistas e professores. Dolores Brandão,  chefe da Biblioteca Alberto Nepomuceno – BAN, foi responsável por essa fase e também pela catalogação dos itens do acervo na Base Minerva da UFRJ.

A identificação dos instrumentos contou com a colaboração de diversos professores da Escola de Música da UFRJ e de outras universidades: Alysio de Mattos, Paulo Sá e Márcia Taborda (instrumentos de cordas); Eduardo Monteiro, José Rua, Cristiano Alves e David Alves, Aloysio Fagerland (sopros); Pedro Sá (percussão) e ainda professores de outras universidades: Rogério Budaz (Universidade da California); Patrícia Aguillar e Mônica Lucas (Universidade de São Paulo).

(2) CATALOGO

A bolsista Álea de Almeida (TCT-FAPERJ), Mestre em Museologia, partindo de informações desse levantamento preliminar buscou informações em outras fontes, tais como a própria Base Minerva da Base Minerva, os catálogos antigos do Museu Delgado de Carvalho, catálogos de acervos de museus nacionais e internacionais, dicionários especializados, sites de museus, entre outros. Este trabalho de pesquisa aprofundou o nível de catalogação e atualizou e corrigiu diversos dados criando um catálogo especial para o Museu Virtual.

Os seguintes catálogos antigos do Museu Instrumental Delgado de Carvalho foram consultados:

  • 1890-1895 – Livro de Inventário de Leopoldo Miguéz
  • 1905 – Catálogo organizado por Delgado de Carvalho e publicado pela Imprensa Nacional.
  • 1973 – Anotações manuscritas feitas por Mary Hugo Braga Pinto Coelho ao catálogo de 1905.
  • 1974 – Inventário datilografado organizado por Luciano Rolla, com base nos registros de 1905 e de 1973
  • 1990 – Inventário organizado e atualizado por Léo Soares com base nos inventários anteriores.
  • 1994 – Artigo de Afifi Craveiro de Almeida na Revista Brasileira de Música intitulado “O Museu Instrumental Delgado de Carvalho: Breve Notícia”
  • 2008 – Relação organizada por Dolores Castorino Brandão, bibliotecária chefe da Biblioteca Alberto Nepomuceno da Escola de Música da UFRJ.
  • 2013 – Inventário organizado por Dolores Castorino Brandão.

As principais fontes consultadas foram os dicionários de Musica: o Grove Music Online, o Manual dos Instrumentos Musicais (2009); o Dicionário Grove de Música – edição concisa (1994); o The New Harvard Dictionary of Music (1986), o The New Grove Dictionary of Music and Musicians (2001). Além dessas fontes foram fundamentais para o nosso trabalho os sites de museus de musica, sendo os mais importantes: Museu de Música de Lisboa, Musée da Cité de la Musique de Paris, Musée des Instruments de Musique de Bruxelas, Horniman Public Museum de Londres, Musical Instrument Museum Online (MIMO), The Metropolitan Museum of Art (outras fontes podem ser consultadas no item Referencias Bibliográficas.

Esta pesquisa reuniu informações sobre os principais usos e características de cada item do acervo com objetivo de compreender os diversos contextos culturais em que estes instrumentos musicais estão inseridos. As informações foram organizadas em fichas catalográficas, e boa parte delas está agora disponível ao público no catálogo online.

(3) HIGIENIZAÇÃO E RESTAURAÇÃO
Figura 1: Sitar, antes e depois da restauração.

Figura 1: Sitar, antes e depois da restauração.

Os técnicos e luthiers contratados para cuidar do acervo, após um exame meticuloso constataram que a maior parte do acervo precisava, devido ao seu estado de conservação, não só ser higienizada mas também ser restaurada. E, com uma verba prevista apenas para higienização, restauraram os instrumentos do acervo com muita paixão e boa vontade. O luthier Ricardo Dias ficou responsável pelos instrumentos de cordas, Sebastião Cruz pelos instrumentos de percussão, Franklin Correa da Silva Neto (Franklin da Flauta), pelas flautas, Mauro Ávila (fagotes), Franklin da Flauta (Flautas), Sávio Novaes (oboés e clarineta). Na Figura 1 podemos ver um exemplo de restauração da Sitar, um cordofone do acervo.

(4) ACONDICIONAMENTO

Para acondicionar os instrumentos do acervo foi adquirido um armário deslizante e foram preparadas embalagens e etiquetas para cada item (Figura 2, Figura 3 e Figura 4).

Figura 2: Arquivo deslizante para acondicionamento dos instrumentos.

Figura 2: Arquivo deslizante para acondicionamento dos instrumentos.

Figura 3: Prateleiras com os instrumentos musicais acondicionados.

Figura 3: Prateleiras com os instrumentos musicais acondicionados.

Figura 4: Etiqueta elaborada para o membranofone Dog-Dog

Figura 4: Etiqueta elaborada para o membranofone Dog-Dog

(5) FOTOGRAFIA DIGITAL DOS INSTRUMENTOS

Todos os instrumentos foram fotografados após a restauração, sendo a maioria fotografado também antes da restauração por Pedro Struchiner nas dependências da Escola de Música. Depois da restauração os membranofones e alguns instrumentos de sopro foram fotografadas no Estudio da COM/ECO/UFRJ, por Cícero Rabello e os cordofones e aerofones de metal e no FlyStudio.Pro, por Antônio Pessoa. As imagens foram feitas usando fundo infinito e em alta resolução, seguindo as normas definidas pelo projeto MIMO. Na Figura 5 mostramos a fotografia de um instrumento de sopro, na Figura 6 um instrumento de percussão e na Figura 7 um instrumento de cordas.

Figura 5: Imagem do “Suling”, um instrumento de sopro.

Figura 5: Imagem do “Suling”, um instrumento de sopro.

Figura 6: Fotografia de “Naqqara”, um instrumento de percussão

Figura 6: Fotografia de “Naqqara”, um instrumento de percussão. Image 6: Picture of the“Naqqara”, a percussion instrument

Figura 7: Fotografia de “Yueqin” um cordofone original da China

Figura 7: Fotografia de “Yueqin” um cordofone original da China. 

(6) WEBSITE DO MUSEU VIRTUAL

Para que as informações disponíveis no website fossem apresentadas de forma atraente foi fundamental o trabalho em conjunto com a equipe de webdesign para a escolha não apenas do design do site, mas também das informações que deveriam ter mais destaque, da organização do espaço virtual e da linguagem mais adequada para esse espaço.  No site trabalharam Luciana Araujo Lumyx (Webdesign) e Mileni Santos (programação técnica do site).

ATIVIDADES EDUCATIVAS

O Museu Virtual de Instrumentos Musicais tem o objetivo de ser um espaço de divulgação de acervos relacionados à linguagem musical, e uma plataforma virtual dinâmica com fins educativos, capaz de atingir um grande público. Para enfatizar a função educativa do museu, estamos preparando atividades educativas e lúdicas voltadas inicialmente para estudantes e professores.

Para que estas atividades, e o próprio site como um todo, estivessem em consonância com os anseios deste público alvo, foram realizadas, por Alea de Almeida entrevistas com professores de música. Estas entrevistas mostraram que a utilização das novas tecnologias como ferramentas pedagógicas é um assunto que está em debate no ambiente escolar. Os alunos (adolescentes entre doze e dezesseis anos) tem grande intimidade com o uso da internet, que acontece diariamente, inclusive em sala de aula por meio do uso da web em celulares. Os professores concordam que ao invés de coibir o uso das novas tecnologias pelos alunos na escola, o melhor seria utilizá-las a favor do aprendizado escolar em ações educativas. Dessa forma, o Museu Virtual de Instrumentos Musicais pode se tornar um espaço de apoio para professores que desejarem combinar as novas tecnologias à Educação Musical

E….

Além das atividades propostas inicialmente, o projeto do MVIM está trilhando rumos complementares, tais como o apoio ao ensino musical através de atividades educativas no ambiente virtual e a pesquisa em terminologia de instrumentos com a produção de um tesauro de instrumentos musicais em língua portuguesa.

O MVIM objetiva ser um canal de permanente troca de informações, não só com professores e alunos, mas também com outros segmentos do público interessados na linguagem musical e em especial no conhecimento relacionado aos instrumentos musicais, para divulgar a música e os instrumentos musicais no Brasil, contribuindo desta forma para a pesquisa, a educação, a formação musical e a preservação da memória cultural no país.

Acreditamos que a existência do MVIM, ainda que só de forma virtual, estimule a concretização do sonho, ponto de partida dessa dessa empreitada:  o estabelecimento de um museu de instrumentos musicais aberto ao público no mundo físico.