E afinal o que são idiofones, membranofones, cordofones e aerofones?

Álea de Almeida

O homem faz música desde a pré-história, primeiramente com a própria voz e depois com os instrumentos musicais. Naquela época, tudo podia ser fonte de som: ossos, pedaços de madeiras, pedras. Esses materiais podiam ser percutidos – e os instrumentos de percussão surgiram! – e, mais tarde, os homens fizeram, por exemplo, furos nos ossos e começaram a soprar, e assim surgiram as primeiras flautas. Imaginem a enorme quantidade de instrumentos musicais que foram inventados ao longo da história, e não apenas pelas culturas ocidentais, mas por todos os povos do planeta… essa imensidão precisava ser organizada, por isso foram inventados desde da Antiguidade os sistemas de classificação dos instrumentos musicais. O objetivo desses estudiosos da organologia – que é a ciência que estuda os instrumentos musicais – era organizar para possibilitar um entendimento maior de todos esses artefatos musicais. O sistema de classificação de instrumentos musicais mais utilizado hoje pelos museus é o Hornbostel&Sachs, que foi publicado pela primeira vez em 1914. O sistema recebeu esse nome por conta dos seus criadores: o etnomusicólogo austríaco Erich Von Hornbostel e musicólogo alemão Curt Sachs. O MVIM também adotou o sistema e por isso nosso catálogo online [podia ter um hiperlink para levar para o catálogo ou para a busca] divide os instrumentos conforme a classificação Hornbostel&Sachs, ou seja, em idiofones, membranofones, cordofones e aerofones. Os idiofones são provavelmente mais conhecidos como instrumentos de percussão, com certeza você já deve ter visto eles por aí, exemplos de idiofones são os triângulos, reco-recos, pratos. Talvez as carcabas sejam menos conhecidas:

Carcabas

Carcabas

O que estes instrumentos tem em comum é que neles os sons são produzidos por meio da vibração do próprio corpo do instrumento – por exemplo, os sons do triângulo são gerados por meio da uma baqueta de metal que percute e faz vibrar o corpo metálico e triangular do instrumento. Os membranofones são muitas vezes também chamados de instrumentos de percussão, ou ainda de tambores. São aqueles instrumentos onde o som é produzido por meio da vibração de uma membrana que  está esticada em algum tipo de suporte. Essa vibração pode ser produzida pelas mãos ou por baquetas. Exemplos de membranofones são o surdo, o tamborim, o pandeiro – instrumentos bem presentes na música brasileira.

surdo Surdo tamborim Tamborim pandeiro Pandeiro

Menos conhecidos são as darabukkas, instrumentos da cultura árabe, e o dogdog, pequeno tambor da Indonésia. Estes você pode encontrar no nosso catálogo online. Os cordofones ou instrumentos de corda são aquele onde os sons são gerados por meio da vibração de uma ou várias cordas. Para geração do som as cordas precisam estar tencionadas e, dependendo do comprimento, diâmetro e material das cordas, cada corda produzirá notas diferentes. Violões, violinos, violoncelos e harpas são cordofones. O piano e o cravo, apesar de muitas vezes serem conhecidos apenas como instrumentos de teclado, também são cordofones.

piano cravo
Dentro das caixas de ressonâncias do piano e do cravo existem cordas. No piano as cordas são percutidas por um martelo, gerando os sons, já no cravo as cordas são beliscadas por um mecanismo interno chamado de saltarello.

Por fim, os aerofones ou instrumentos de sopro são aqueles onde os sons são produzidos por meio da vibração de uma corrente de ar. Esse volume de ar fica contido em um tubo, o sopro do executante é que faz vibrar esta coluna de ar, gerando o som. Isso é o que acontece com flautas, oboés, clarinetas, trombones, trompetes, basset horns e ghaytas, instrumentos que você encontra no nosso catálogo online.

trompete clarineta
Trompete e clarinete são exemplos de aerofones.